FORMAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO

Jornalismo@Gaia: a missão do repórter em tempos de reconexão

O jornalista do século XXI não é desafiado apenas pela Internet, mas por uma crescente complexidade da realidade humana e planetária. Crises ambientais, sociais, políticas e econômicas emergem com mais velocidade e menos previsibilidade. A tecnologia é produtora e produto deste mesmo cenário, que nos exige novas habilidades de apuração e também uma nova relação com o público.

O profissional que sobreviver a essas mudanças não vai apenas narrar os fatos; ele vai reinventar a profissão. A missão é entender sistemicamente o que está acontecendo nas redes digitais, sociais e naturais; ligar os pontos entre elas e produzir sentido. O equipamento básico para cumprir os desafios do nosso tempo consiste basicamente em novos óculos, calibrados para perceber as relações humanas e da teia de Vida que nos sustenta. Notícias só fazem sentido em seus contextos e o Jornalismo precisa urgentemente se ambientar no seu contexto inexorável: Gaia.

Entender o vocabulário básico da sustentabilidade é um primeiro passo. O grande desafio, no entanto, é superar o analfabetismo ecológico funcional; é ler e interpretar a realidade compreendendo as forças sociais e ambientais que a moldam.

Enquanto o trabalho jornalístico nasceu para apurar e narrar o que acontece nos nossos tempos, a própria noção de Tempo foi criada para mediar a nossa conexão com o planeta. A palavra Jornalismo vem de “jour” – dia, em francês. O que determina um dia? É o período em que Gaia completa uma volta em torno de si mesma. Por “Gaia”, nomeia-se o planeta como mais que uma rocha girando no Universo: trata-se de um sistema vivo, em que seres e ambiente se alimentam retroativamente, em um ciclo que fomenta o processo da Vida.  Ao voltar-se para essa relação essencial com o sistema natural ao nosso redor, o Jornalismo não estaria extrapolando seus limites, mas sim voltando-se para o seu cerne: reconhecendo-se como parte da realidade humana e mais-que-humana.

Esta é apenas uma degustação do artigo escrito por Ana Carolina Amaral. O texto completo será publicado na revista Jornalismo Ambiental que será distribuída durante o VI CBJA.